Quarta-feira, 1 de Julho de 2009


O ano era 1982 e aquele “negrinho” dos Jackson 5 já havia mostrado que o talento ‘castratto’ não só havia se mantido com o passar da idade (ele agora tinha 24 anos), como também havia aumentado, com o lançamento da ótima mistura de ‘R&B’ e ‘discomusic’ no disco Off The Wall (cujo carro-chefe havia sido a canção Can’t stop (‘till you get enough) e que é lembrada até hoje através da abertura do sofrível global VideoShow)... Mas foi mesmo com o disco mais vendido da História, Thriller, que Michael Jackson mostrou o genial artista (cantor, dançarino e homem de negócios) que era, acima de qualquer preconceito! Infelizmente, mesmo com a qualidade de alguns trabalhos posteriores, Thriller foi mesmo o seu ápice de talento e ousadia, e, de lá pra cá, assim como se deu com outro Rei (no talento e nas esquisitices, Elvis Presley), só houve descida até o recente desfecho melancólico...

Mas falemos do que realmente interessa: vindo de duas pequenas obras-primas dos anos 80 (Os Irmãos Cara-de-Pau e Um Lobisomem Americano em Londres), o “Diretor dos Anos 80” (ao lado de Spielberg), John Landis, foi convidado por MJ para escrever e dirigir o material para a canção-título do seu novo disco Thriller. Entretanto, o Mestre Landis não só dirigiu com maestria o videoclipe (que você pode acompanhar, na íntegra, na galeria ‘Sing It’ ao lado), como também fez de Thriller mais uma pequena obra-prima em seu currículo! Infelizmente, as dobradinhas Landis/Jackson que se seguiram nunca mais conseguiriam repetir o excelente resultado: em Black or White, apesar de bem razoável, especialmente por aquele clássico efeito da transmutação, o clipe acabou tolamente esticado até as polêmicas cenas de explosão violenta de Michael, sem esquecer o uso desnecessário de Macaulay Culkin; e em Do you remember, mesmo com grande elenco negro, tudo era chatinho demais...

Não desço a homenagens chinfrins ao artista que se foi cedo ou a pieguices dos ridículos programas vespertinos da TV aberta, muito menos perderei meu tempo falando do ‘Wacko Jacko’, do menino maluquinho cheio de esquisitices alimentadas pelos tablóides (ou pelo próprio artista): como diria Caetano, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é! Prefiro ouvir meu disco Thriller, cheio de clássicos memoráveis... Thriller, em Inglês, significa algo que provoca calafrios, que estremece (normalmente usado para designar gênero de filmes com suspense e ação), justamente o que se sente ao se ver (e rever) esta aula de clipe, com a fantástica maquiagem de Rick Baker (o mesmo de Um Lobisomem Americano em Londres), as ótimas metalinguagens (filme dentro do filme; voz de Vincent Price, astro de clássicos do Terror), a inesquecível coreografia dos zumbis...

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

É São João!

É São João! É tempo de festa com o dinheiro público! Anarriê: é a quadrilha do Senado pra você! É, minha senhora, é assim porque o Coronel Bigode, que já sujou tanto, disse que não foi eleito presidente pra limpar lixeira – afinal, como vaticinou o delegado barbudo, o "velhinho" não pode ser tratado como um homem comum: verdade; senão, já estaria preso em Pedrinhas, em Bangu ou na cadeia do arraiá, junto com sua ‘famiglia’ toda! Olha a chuva! É mentira... Olha a bandalheira do ato secreto! É verdade...

É São João! É Santo Antônio, São Pedro: são três estrelas a brilhar no céu, como diria a bela canção do grande percussionista maranhense Papete! E no Maranhão o arraial é mais bonito! Tudo bem que não haja aquelas barraquinhas lúdicas do Sul-Sudeste, mas não há, oh, gente, oh, não, festa como essa do Maranhão: acima de qualquer bom baião ou quadrilha (estilizada ou de pé no chão), aqui tem Bumba-meu-boi, cheio de lendas, belezas e sotaques, tem Tambor de Crioula, tem Cacuriá e muita coisa boa pra experimentar (arroz de cuxá, mingau de milho/canjica, camarão seco e vatapá)!

É São João! E não há cantor que mais tenha sido a cara do Nordeste, com seu tropicalista jeito de trajar, quase uma Carmen Miranda em jaquetões e chapéus de couro! Com simplicidade e muito talento, compôs e cantou o legítimo baião longe dos modismos e se perpetua até hoje com clássicos geniais como A vida do viajante, Á-bê-cê do sertão, O xote das meninas, Olha pro céu, Respeita Januário, Riacho do Navio, Sabiá... Mas foi mesmo com Asa Branca, verdadeiro Hino Nordestino, tal como Aquarela do Brasil está para um segundo Hino Nacional, que o "Velho Lua", Luiz Gonzaga, imortalizou-se – apesar de já ter nos deixado há 20 anos...

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

PARATODOS

Estive com o poeta popular Patativa do Assaré (1909/2002) quando em Fortaleza (foto): bom papo, nem parece que fez cem anos em março! Falamos do nosso sofrido Vasco e das mazelas de nosso não menos sofrido povo nordestino – ele mesmo um autodidata, que frequentou a escola por menos de um ano, mas que soube superar e aprender nos livros, nos jornais e nas revistas a dominar a Língua para expressar tão bem suas poesias com a voz dos cordéis! Parabéns ao eterno Patativa ('trailler' do documentário "Patativa do Assaré - Ave Poesia" na galeria ao lado)!

E o Rei Roberto completou 50 anos de irregular perfeição com sua voz precisa e suas imortais canções... E seu irmão camarada, de fé e de idade, o bom roqueiro Erasmo Carlos, completou 68 anos neste mês! Difícil saber o que realmente é dele nos pactos de sangue das canções “assinadas em parceria” com Roberto, mas o certo é que o “Tremendão”, mesmo com o visual cansado de guerra, agita bem até hoje, acendendo a 120...150...200 km por hora!

Mas o mês de junho ainda é mesmo dele, do Poeta maior de nossa Música: Francisco Buarque de Holanda – que, no próximo dia 19 completará 65 anos!



Ele é muito mais do que o amante dos olhos de ardósia e conhecedor da alma feminina ("Olhos nos Olhos", "Folhetim") ou a voz das questões político-sociais ("Apesar de Você", "Cálice"): Chico Buarque ainda é o mestre maior do cancionário nacional, o único que se pode realmente chamar de poeta musical, verdadeiro Stanley Kubrick da MPB, com a perfeita decupação em verdadeiros "atos teatrais" (bem visível nos três atos de "O Guri" e "Olê, Olá") nas suas canções!

E, mais do que o versátil compositor e dos flertes com o Cinema e o Teatro ("Ópera do Malandro", "Gota d'Água" e "Roda Viva", canção inesquecivelmente "contracenada" com o MPB-4 no vídeo acima, da época dos grandes festivais), o cada vez mais maduro e profundo escritor ("Budapeste" mostra bem o que digo) vive hoje numa profícua colheita deliciosa e alternada entre um livro e um disco sempre com qualidade!

Meu caro Chico, muito te admiro, meu chapéu te tiro, muito humildemente: a ti, que já amaste de todas as maneiras que há de amar, pelas rodas vivas de tantas obras inesquecíveis, tantas de minhas “canções favoritas” (“Construção”, “Cotidiano”, “O que será”, “Acorda, Amor”, “Homenagem ao Malandro”, “vai Trabalhar, Vagabundo”, "Geni e O Zepelim”, “Samba e Amor”, “Cara a Cara”, “Almanaque”, “Futuros Amantes”, “Com açúcar, com afeto”, “Iracema”, “A Ostra e O Vento”...) e pelas tantas piruetas que ainda hás de dar, bravo, bravo! Agora falando sério: meus parabéns, meu caro amigo!

Blog Archive

 

Quem linkou

+ voam pra cá

Web Pages referring to this page
Link to this page and get a link back!
eXTReMe Tracker
Clicky Web Analytics

BlogBlogsJoin My Community at MyBloglog!Personal Blogs - BlogCatalog Blog Directory

luzdeluma st Code is Copyright © 2009 FreshBrown is Designed by Simran